11 de setembro de 2018

Resumo - Roteiro para os Grupos de Reflexão-Aprendendo da História e da Realidade - Mês de Abril -Iniciação à Vida Cristã - Processo Catecumenal -Segundo encontro

                                     UM CAMINHO A SER PERCORRIDO À LUZ DA FÉ


O Evangelho de Lucas 24, 35- 48 começa, quando os discípulos de Emaús voltam a Jerusalém à comunidade. Entram na sala, onde estão os apóstolos e contam o que o Senhor tinha feito com eles. Nesse  exato momento, aparece Jesus . Por que o Senhor aparece exatamente na hora da narração ? Por que não apareceu antes ou depois? Como o senhor se identificou ?Ele mostrou as mãos e os pés. Imediatamente pensamos nas chagas. Por que as mãos e por que os pés? Ele foi um grande andarilho. Caminhou para que as suas mãos tocassem os cegos e os fizessem ver;  tocassem a pele machucada de um leproso e o curasse. O senhor soprou e abriu-lhes a inteligência. Precisamos ter a inteligência aberta. A inteligência percebe a realidade, por ela lemos a escritura, podemos entender o projeto de Deus, como a história se constrói e, na história, percebemos seu agir.




A partir do segundo século, a Igreja aos poucos, estruturou um processo para iniciação de novos membros à Comunidade Eclesial,  como o cristão prontos a celebrar a fé e a assumir a missão. Tal processo de iniciação, mais tarde, foi denominado Catecumenato. Sua finalidade era possibilitar, por meio de um itinerário específico de iniciação,  a preparação, prioritariamente de pessoas adultas, que tinham manifestado o desejo de assumir a "fé da igreja". Elas aceitavam entrar e prosseguir, por um caminho bem articulado de aperfeiçoamento do propósito de conversão, celebrado na recepção dos  "sacramentos da iniciação cristã". Era um caminho que acolhia a salvação de Deus e se expressava na vida da Comunidade . Por isso, ao longo do itinerário  catecumenal, havia uma série de ensinamentos,  um conjunto de práticas litúrgicas e, de modo especial, uma séria demonstração de vida cristã, através da participação na vida da Comunidade .

O declínio do processo catecumenal aconteceu, no contexto do que se chamou de cristandade, quando a maioria das pessoas se tornou cristã. Gradativamente, a transmissão da fé cristã acontecia como herança recebida. As pessoas nasciam em ambiente cristão, e iam adotando os comportamentos e as práticas do meio religioso ao qual pertenciam. Era um cristianismo herdado, transmitido como tradição familiar e social. Na cristandade medieval, os Sacramentos da iniciação eram celebradas sem muita relação entre eles. A fé encontrava expressão das devoções aos santos, nas peregrinações, v nas penitências. Grande importância passaram a ter as orações decoradas. A Palavra de Deus era proclamada nos sermões,  encenada ao longo das profissões e festas, e representada na pintura,  na escultura, no teatro, nos cantos e nas narrativas populares . Era uma catequese da Piedade popular.


 A Igreja, após o Concílio de Trento, elaborou um Catecismo, a ser utilizado pelos Párocos, centrada no conhecimento da doutrina da fé, na instrução moral, na celebração dos sacramentos e nas orações cristãs. Esta estrutura deu origem a um processo, no qual o Catecismo passou a ser a referência oficial de transmissão da fé. Este foi o modelo de caráter mais doutrinal. Uma parte da população continuou alimentar sua fé,  por meio da piedade popular.

Além da Palavra e da fração do pão, de que outras maneiras o Senhor se revela hoje?





Resumo - Roteiro para os Grupos de Reflexão-Aprendendo da História e da Realidade - Mês de Abril -Iniciação à Vida Cristã - Processo Catecumenal


Primeiro encontro : Iniciação à Vida Cristã ontem e hoje
Quando lemos o Evangelho, João 20, 19-31 a primeira internação é imaginar que essas cenas são descrições. Se assim fosse, teria sido muito fácil para os apóstolos crer em Jesus. Viram, pegaram,  tomaram e tocaram. Vemos que Tomé colocou  condição para crer,  como muitas vezes colocamos condição para amar. Quando colocamos condição para amar ou  para crer, não amamos e não cremos.  O amor é um salto no escuro . Então, Tomé não acreditou depois que tocou? Não. Ele teve que renunciar às condições para crer. Todos esses gestos de Jesus não são para os sentidos. São para o itinerário interior do amor. Os seus olhos físicos não podiam ver Jesus ressuscitado.  Jesus tinha outra dimensão. Assim, os olhos físicos não veem. O amor não vem dos olhos físicos. Quando amamos O que vemos, ainda não amamos. " O essencial é invisível aos olhos". O que vemos é sinal,Sacramento,  para que possamos alcançar o mistério maior, que a vista não alcança.



A igreja, que somos todos nós, discípulos- missionários, que seguimos e anunciamos o Senhor, é chamada, hoje, a promover um novo encontro luminoso, um novo diálogo, com novos interlocutores, reconhecendo que nos encontramos em um momento histórico de transformações profundas. O Documento de Aparecida caracteriza este momento como de " mudança de época".  Em nosso país, essas transformações assumem características comuns, que  "afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos" da vida, da família, da sociedade. Nesse cenário de mudança, a Igreja vive e age. Há um passado que pode impulsionar -nos a buscar constantemente novos caminhos, para que cheguemos a viver, com autenticidade e zelo ardente, o seguimento de Jesus, a partilhar com ele a missão de fazer acontecer o Reino no mundo de hoje.

Se ouvires a voz do vento/Chamando sem cessar//A decisão é tua/A decisão é tua...
Se ouvires a voz do tempo/Mandando esperar/ A decisão é tua...

Jesus formou discípulos e discípulas, instruindo-os com sua original atitude de acolhida, de compreensão e de valorização das pessoas, principalmente das marginalizadas. A vida de Jesus transformou de tal modo essas mulheres e esses homens, que,  aos poucos, foram compreendendo que a salvação Cristã é vida concreta, existência cotidiana, de relação pessoal, com Deus e com os irmãos e irmãs;  também, libertação do pecado, das injustiças e das limitações humanas. A expressão "novo" é fundamental nas atitudes de Jesus: odres novos (Mateus 9,17), mandamento novo
( João 13,34) nova Aliança (Lucas 22,20) . Tudo isso teve seu ponto alto na entrega pessoal de Jesus, da sua própria vida na cruz, na certeza da sua  ressurreição, para permanecer conosco para sempre.

O trigo já se perdeu/Cresceu, ninguém colheu/E o mundo passando fome/ Passando fome de Deus/A decisão é tua/ A decisão é tua...

16 de agosto de 2018

Teografia - Neusa Maria Dias Nascimento de Peçanha


Sou  casada, tenho dois filhos e sou catequista.
Descrevo aqui um pouco da minha vida em Cristo. Como senti e sinto a presença desse Deus Misericordioso que fez e faz maravilhas em mim. Assim diz o Senhor: “ Pois és muito preciosa para mim, e mesmo que seja alto, a teu preço, é a ti que eu quero; entrego nações para te conquistar! Não tenhas medo, estou contigo! Is 43. 4...Como não me apaixonar...
                A minha infância eu a passei em Santo Antônio dos Araújos, pequeno vilarejo de São Sebastião do Maranhão. A minha primeira catequista foi minha mãe que muito me educou na fé. Meus pais católicos fervorosos, muito nos ensinou a seguir, amar a Jesus e ao próximo. Minha mãe hospedava todos os padres e até os bispos, lembro de Dom Geraldo. Para nós, era motivo de muita alegria, comidinhas gostosas, docinhos e muito mais.
                 Lembro-me muito bem dos terços diários, éramos 12 e todos nós ajoelhávamos ao redor da cama para rezar com meus pais e não podia ter cochilos, que logo meu pai, com autoridade e carinho dizia: acorda fulano! Confesso que às vezes,batia aquela preguicinha, vontade de continuar aquela brincadeira com os colegas, porém a reza do terço era momento sagrado. Meus pais nos levavam à missa, novenas, quermesses, coroações, procissões etc.
                Cresci, saí para estudar e a fé esfriou um pouco. Ia à missa aos domingos, grupos de jovens, mas já não era prioridade,pois tinha outros objetivos e pensava que seguiria meus caminhos sem Cristo. Sentia-O  distante. Me formei e comecei a trabalhar e vejam só: com Ensino Religioso, Jesus se fazendo presente e foram dois anos. Tínhamos a missa com as crianças, coroações. Senti-me um pouco só, as outras colegas não acolhiam, não sentiam necessidade de estar conosco, nos apoiando. Com certeza, Jesus e Maria, sim, presentes em todos os momentos.
                Os tempos foram passando, vieram os namoros e o casamento. Tive dois filhos, bênçãos de Deus, Plínio e Jefferson. Jefferson especial, maior prova de amor para comigo e meu marido Cloves. As cruzes vieram, muitas... mas em todas elas, Deus caminhava comigo.
                Em 1999, mudei-me aqui para Peçanha, precisava colocar Jefferson na APAE, minha cidade não tinha e ele precisava de cuidados especiais, específicos. Transmitia para eles o que aprendi na minha infância com meus pais. A importância de ter Jesus em nossa vida, nos orientando, formando e cuidando.
                 Em 2004, aconteceu a maior prova de Deus na minha vida, uma cruz difícil de carregar, se eu estivesse só. Levei Jefferson para fazer um tratamento de dente, que precisava de anestesia geral, no hospital em Belo Horizonte. Aconteceu o inesperado: Meu filho sofreu uma parada cardiorrespiratória, ficou no CTI e muitas complicações vieram, foram meses de sofrimento, angústia, esperas e muita oração. Quem me segurou foi Deus com seu amor de Pai e Maria que me colocou no colo, não só a mim, mas a toda minha família. Foram momentos de muita oração e solidariedade de amigos. Ali formávamos uma grande família, muitas mães passando também por sofrimento colocando seus filhos nas mãos de Deus.
                Rezávamos o terço pertinho de Jefferson todos os dias. Quando ele piorava a capela era nosso refúgio, ali nos entregávamos no colo do Pai. Jefferson partiu para junto de Deus, mas as orações nos deram forças. Eu Senti o acolhimento de Maria que me abraçava em cada irmão e Jesus pedia de volta o seu filhinho, de agora em diante ele cuidaria. Entendi e aceitei. Foi muito doloroso, tive meu luto, mas não perdi a fé! Fortaleceu ainda mais.
                 Trabalhei,orei pela vida, presente de Deus. Gratidão ao meu supremo Deus! Passou o tempo, fui presenteada por uma neta, Emilly. Até que uma amiga, Maria,uma catequista, convidou-me para a catequese e eu aceitei o convite e aqui estou.  Com ela aprendi muito, a minha  gratidão. Em nossos encontros fui procurando me aperfeiçoar, me formar, para anunciar a muitos a Palavra de Deus.
                Continuo aprendendo muito com  pessoas maravilhosas, nos tornamos uma grande família em Cristo, apoiando um ao outro. Hoje sou apaixonada por Cristo, nosso supremo Deus. Seguirei na certeza de que nunca estarei só, vou estar atenta para ouvir os passos de Jesus ao meu lado, ouvi-lo na sua Palavra, até encontrá-lo.
                E como dizia o  profeta Isaías: “ o Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me para levar a boa nova aos pobres, para curar os de coração aflito, anunciar aos cativos a libertação!
Então digo: Eis-me aqui Senhor, usa-me!

14 de agosto de 2018

A música no espaço sagrado - Formação litúrgica





Em todos os tempos e lugares, homens e mulheres, de todos os meios e níveis sociais, de todas as culturas e religiões, costumam realçar, ao longo da existência, aspectos fundamentais da vida individual, familiar, social e religiosa. Levando em consideração esses aspectos, entendemos que; celebrar é parte integrante da vida humana; que é tecida de trabalhos e de festas, de horas gastas na construção e espaços destinados a usufruir seus resultados.

É a celebração nos leva à grandeza de nosso ser, e de nosso compromisso em sermos de imagens de Deus; grandeza, que corremos o perigo de esquecer nas lutas pela vida, e nas frustrações da existência. Imagens, por que se somos cristãos. E de fato, temos a obrigação de sermos exemplos, que reflitam Deus, para os outros.

Entendendo que todo esse momento, em que se evoca o fato passado para revivê-lo intensamente o nosso hoje; a celebração ocupa na vida humana, um lugar privilegiado: porque põe homens e mulheres em comunhão entre si e com Deus através dos símbolos, sinais e melodias.

 Nas celebrações religiosas sobretudo litúrgicas, há muitos objetos, gestos e atitudes especiais das pessoas: altar, cruz, luzes, toalhas, palavras e melodias que refletem a presença de Deus... E esses objetos entram na Liturgia como símbolos e sinais significativos que complementam a mesma.  Nesse sentido é que, nossa liturgia se reveste e abre espaço para as expressões de nosso povo. E assim, conseguem a participação de “todas as pessoas e da pessoa toda”.

Santo Agostinho, já dizia com convicção: “Cantar é próprio de quem ama, e que canta; reza duas vezes”. Tendo essa afirmativa como base, vemos que o cântico, quando se é bem cantado, tem o poder de nos colocar profundamente em oração e em sintonia com o mistério celebrado. E o santo, muito feliz em sua afirmativa, nos leva a entender que cantar bem e liturgicamente, é e será sempre, o eixo condutor, e explicativo de tanta preocupação com o conforto dos fiéis nas celebrações, em relação à contemplação do mistério.

 Convictos então, de toda essa mística celebrativa, jamais queiramos ser ministros de música, espelhados no trabalho do “garçom”; que apenas serve aos outros o banquete. É preciso que participemos também, ativos, de cada momento da celebração; que sentemos à mesa, e participemos do banquete ali servido. Somos sempre “convidados para a ceia do Senhor”.


E ao participar dessa Ceia, formamos um só corpo, tendo Cristo como corpo e cerne de toda a igreja, que em cada páscoa semanal se reúne para viver a liturgia, numa profunda intimidade a partir da oração, do Pão Palavra e do Pão Eucarístico.

Uma das melhores expressões da participação do povo na liturgia é a Música Litúrgica. Onde há manifestação de vida comunitária existe canto; celebra-se a vida. Por isso, no Brasil, a renovação litúrgica tem alcançado um dos seus pontos mais positivos, pela criação de uma música litúrgica em vernáculo que tem procurado corresponder ao sentimento e à alma orante do nosso povo, fazendo-o participar das funções litúrgicas de modo expressivo e autêntico. Nesse aspecto teremos a certeza de que nossa vida será de fato, uma eterna canção que seja agradável a Deus e que motive os irmãos a tomarem gosto pelo que é cantado e celebrado na sagrada Liturgia.

Referências
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Pastoral da música litúrgica no Brasil - 7 – 2º ed. São Paulo, SP: Paulinas, 1979.
INSTRUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO – Terceira Edição – 2º ed. São Paulo: Paulinas, 2010.
GUIA LITÚRGICO PASTORAL (CNBB) – 3º ed. Brasília, DF – 2017

                                                                                       Michel Hoguinele

12 de agosto de 2018

Uma reflexão para todos os pais. 

Relato pessoal 

"Eu tinha apenas oito anos no domingo que meu pai pegou Diogo,Fafá,Inêz,mãe,e eu e nos levou num rio lá no Rio Pardo* para passarmos o dia! Nas costas,ele carregava um barco de pita que ajudamos ele a fazer no dia anterior. Inêz tinha apenas dois meses e assim que chegamos,a primeira coisa a ser feita foi uma cabana improvisada de gravetos e lençol para que ela não tomasse tanto sol. Éramos só nós seis ali...lugar deserto,no meio do mato,família reunida,sem muitos lanches e sem riqueza(tinha a riqueza da natureza claro) Passamos o dia todo ali,e poderia ter sido um dia comum da nossa infância se não tivesse se tornado o dia mais feliz da minha vida. Sempre que falam de infância,é esse dia que me vem na memória. Naquele dia,pai foi meu herói mais que em qualquer outro dia. Confiei nele,subi naquele barco e fui até a parte mais funda do poço. Depois de adulta,fico pensando que talvez aquele dia tenha transformado a minha vida e me ensinado a dar valor às coisas mais simples...talvez...Hoje nosso pai não tá mais aqui, e estou escrevendo não para fazer uma homenagem póstuma,mas pra dizer que os melhores heróis não usam capa,as coisas mais simples são as que nos deixam mais feliz,e que todos os pais deveriam tirar pelo menos um dia pra fazer a diferença na vida dos seus filhos! Feliz dia dos pais! Ao meu velho, fiz uma oração e onde quer que ele esteja sei que também se lembra do dia do barquinho de pita!" -

Meire Vaduem da Cruz
Reside hoje em Carapicuíba / SP

*Rio Pardo: Localidade situada no distrito de São João da Chapada, município de Diamantina, Vale Jequitinhonha /MG

11 de agosto de 2018

O Testemunho - Resumo do Roteiro para os Grupos de Reflexão

Quarto  Encontro do Roteiro para os Grupos de Reflexão do mês de março.

Texto Bíblico: Jo 4, 39-42

"Nós mesmos ouvimos e sabemos: Este é verdadeiramente o Salvador do mundo" .


" As palavras movem, mas os exemplos arrastam!"Resultado de imagem para As palavras movem, mas os exemplos arrastam!"



Ou ainda, aquela famosa frase que são Francisco disse:



" Pregue o Evangelho em todo o tempo! Se necessário, use palavras!" 

 Afinal, a vida ou testemunho de quem fez um encontro com Cristo, pode ser o único Evangelho que as pessoas têm a oportunidade de ler.

 É sobre o Testemunho que vamos refletir .  Como vocês devem lembrar muito bem, estamos refletindo sobre o tema da iniciação à vida cristã, a partir da passagem bíblica sobre o encontro de Jesus com A Samaritana, na beira do poço de Sicar (João 4, 1- 44) .Queremos frisar especialmente, hoje, a força do testemunho da Samaritana e daqueles  outros que também puderam experimentar e testemunhar .

Água de Poço -Padre Zezinho

Tens água bem melhor

Do que a que vem daquele poço
Sacia muito mais
Do que a cisterna do sicar.

Porém se eu não fizer
Como a mulher samaritana
Jamais conhecerei o bem
Que vem de te escutar.

E eu também não sei o dom de Deus,
Não sei também direito quem sou eu
Preciso arranjar tempo de parar pra conversar
E se arranjar um tempo de te ouvir e te escutar
Eu sei que a minha vida mudará.

Ouvir tua palavra e praticar o que ela diz
Deixar me seduzir pela palavra e ser feliz
E então a minha sede acabará.


 O testemunho é um passo fundamental para Iniciação à Vida Cristã.


 Não podemos perder a oportunidade de testemunhar. Muitos samaritanos creram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava.
 A fé em Jesus nasce de um encontro com Ele. Mas tudo começou com um testemunho.  
É preciso testemunhar, sem medo de mostrar o mistério de Deus!


 Os samaritanos , depois de escutar o testemunho da mulher, foram estar com Jesus e, em seguida, não queriam que ele fosse embora. Pediram que permanecesse com eles. Tudo muito semelhante ao que ao que ocorreu com os primeiros discípulos.  Eles foram e, viram onde Jesus morava e permaneceram com Ele aquele dia.
 É o que a palavra de Deus nos ensina, sobre iniciação à vida cristã.

Jesus permaneceu com os samaritanos dois dias,  nos fala o versículo 40.

 "Permanecer"  indica continuidade. Isso é indispensável, na alimentação da Fé. 

Foram dias ricos de belas experiências. Mas o processo não parou aí. O texto do Evangelho diz:  "muitos" (...)  acreditaram (...)  por causa da palavra da mulher". É a valorização do testemunho e do anúncio a seguir, mas no final do texto bíblico,  percebemos que a mesma experiência revela motivos mais profundos, quando fala:  "muitos outros ainda creram,  por causa da Palavra Dele" .
Quando se faz um encontro e se vive a experiência da fé, gera-se um processo de contínuo  crescimento.


 Percebemos que o encontro de Jesus com a Samaritana é um exemplo perfeito de como acontece na iniciação à vida cristã .

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Jesus se faz conhecer aos pouquinhos e progressivamente. No início do diálogo,  Jesus era apenas um "judeu".  A Samaritana descobre que ele  "é um profeta".  Quando Jesus disse a mulher que precisamos adorar Deus em espírito e verdade,  o próprio Jesus revela que Ele é o " Messias". No final do encontro, os samaritanos o reconheceram como  "o Salvador",  ponto de chegada da Revelação.


Um Certo Galileu - Versão Ampliada

Padre Zezinho


Um certo dia, a beira mar
Apareceu um jovem Galileu
Ninguém podia imaginar
Que alguém pudesse amar do jeito que ele amava
Seu jeito simples de conversar
Tocava o coração de quem o escutava

E seu nome era Jesus de Nazaré
Sua fama se espalhou e todos vinham ver
O fenômeno do jovem pregador
Que tinha tanto amor

Naquelas praias, naquele mar
Naquele rio, em casa de Zaqueu
Naquela estrada, naquele sol
E o povo a escutar histórias tão bonitas
Seu jeito amigo de se expressar
Enchia o coração de paz tão infinita

E seu nome era Jesus de Nazaré
Sua fama se espalhou e todos vinham ver
O fenômeno do jovem pregador
Que tinha tanto amor

Em plena rua, naquele chão
Naquele poço e em casa de Simão
Naquela relva, no entardecer
O mundo viu nascer a paz de uma esperança
Seu jeito puro de perdoar
Fazia o coração voltar a ser criança

E seu nome era Jesus de Nazaré
Sua fama se espalhou e todos vinham ver
O fenômeno do jovem pregador
Que tinha tanto amor

Um certo dia, ao tribunal
Alguém levou o jovem Galileu
Ninguém sabia qual foi o mal
E o crime que ele fez; quais foram seus pecados
Seu jeito honesto de denunciar
Mexeu na posição de alguns privilegiados

E mataram a Jesus de Nazaré
E no meio de ladrões puseram sua cruz
Mas o mundo ainda tem medo de Jesus
Que tinha tanto amor...

VITORIOSO! RESSUSCITOU!
Após três dias à vida Ele voltou
Ressuscitado, não morre mais
Está junto do Pai pois Ele é o Filho Eterno
Mas Ele vive em cada lar
E onde se encontrar um coração fraterno

Proclamamos que Jesus de Nazaré
Glorioso e triunfante, Deus conosco está!
Ele é o Cristo e a razão da nossa fé

E um dia voltará!
 

7 de agosto de 2018

Teografia de Valmir Andrade de Faria




Meu nome é Valmir Andrade de Faria, tenho 27 anos. Filho de Raimundo Paulo de Faria e Maria das Dores de Andrade Faria. Tenho dois irmãos, sendo um casado e um solteiro, além de três sobrinhos. Moro na Comunidade do Pavão, Zona Rural de Peçanha.
Desde minha infância, sempre acompanhava minha mãe na reza do terço. Ela juntava eu e meus dois irmãos a beira da fornalha e juntos rezávamos o terço todos os dias. Participávamos também de novenas e celebrações aqui na minha região.
Em 2002, por motivos de saúde, fui inicialmente para Belo Horizonte e depois para Governador Valadares, onde, somando as duas cidades fiquei por aproximadamente dois anos e meio realizando tratamentos médicos. Após realizar o transplante renal em 2004 eu retornei para casa.
Em 2006, começou a se formar a comunidade do Pavão, começando exatamente pela catequese. Minha tia e madrinha, Maria das Dores era a catequista. Com ela a comunidade deu os primeiros passos. Ela sempre convidava a mim e a outras pessoas para dar um suporte, não somente na catequese, mas também em outras pastorais e movimentos, mas eu sempre negava. Achava que seria responsabilidade demais assumir tais compromissos. E às vezes para evitar possíveis atritos de família. E assim foi no decorrer dos anos. Participava apenas das santas missas e vez ou outra de novenas natalinas. Sempre me esquivando e não sendo um verdadeiro membro da comunidade.
Tudo mudou no ano de 2016. O ano decorria como os anteriores, minha madrinha a frente de tudo na comunidade, contando com a ajuda de poucas pessoas. No mês de maio daquele ano, aconteceu a fatalidade. Na saída do encontro de Estudo Bíblico, ocorrido na Paróquia Santo Antônio, Peçanha, madrinha teve um ataque cardíaco fulminante, vindo a falecer antes de chegar ao hospital.
Pelos três meses, após a morte de madrinha, a comunidade ficou sem ninguém a sua frente. Ficou tudo paralisado. Apenas as missas que antes eram celebradas na casa dela, passaram a ser celebradas na casa de meus pais. E no decorrer dos três meses, algumas pessoas – aquelas que a ajudava na comunidade – me procuravam e propunha que eu assumisse a coordenação da comunidade, a catequese e outras pastorais. Só que mais uma vez eu relutava em assumir. Se antes que era apenas ajudar na catequese, eu achava que era compromisso muito sério, imagina agora que seria estar na coordenação da comunidade? Aquilo seria demais pra mim.
Mas aquele chamado não vinha das pessoas, mas vinha de Deus que apenas se utilizava daquelas pessoas para chegar até meu coração. Aquele chamado, então, chegou forte ao meu coração e eu já não mais fui contra. E isso aconteceu no mês de agosto de 2016.
A partir do segundo domingo de agosto daquele ano, tive o primeiro encontro de catequese e também a primeira celebração da palavra. Tudo aconteceu em um local improvisado, a cozinha da casa dos meus pais. Eu que trazia comigo uma grande resistência em falar em público, sabia que não seria eu a catequizar, a celebrar, mas que ali eu era apenas um instrumento nas mãos de Deus e que seria o Espírito Santo falando através de mim.
Também no mês de agosto de 2016, comecei a participar dos encontros de formação, mas aí apareceu um dilema: tinha encontro de formação de catequese e simultaneamente tinha o encontro de liderança. Eu queria participar de ambos, pois muitas vezes não achava ninguém na minha comunidade que fosse comigo para ficar em um dos encontros e assim passar para a comunidade o que de mais importante tinha sido passado. E assim às vezes eu ia na formação da catequese, e outras vezes ia no encontro de lideranças. Mas tudo mudaria rapidamente.
Em um dos encontros de formação de catequese que estava participando, surgiu a necessidade de um tesoureiro pra catequese. Como ninguém se dispunha a ser o tesoureiro, a Maria José (Jó), que até então me conhecia muito pouco, me indicou. De novo veio a resistência, não queria de jeito nenhum tais compromissos. Mas conseguiram me vencer pelo cansaço. Assim eu que até então era coordenador da minha comunidade, passei a ser o tesoureiro da catequese, participando mais dos encontros de formação.
Pouco tempo depois, o padre José Aparecido me chama para uma reunião juntamente com os coordenadores da Catequese e com o coordenador paroquial das pastorais. Pauta: integrar-me a coordenação paroquial de catequese.
No início do ano de 2018 participai de um curso de formação de novos coordenadores de catequese em Belo Horizonte. Curso este que contou com a participação de coordenadores de catequese de várias dioceses do regional Leste II, onde durante cinco dias, tivemos um curso intensivo em catequese. 
Hoje faço parte da equipe diocesana de catequese, sou coordenador paroquial de catequese, sou catequista da turma de Crisma na comunidade do Pavão, além de compor o conselho Comunitário Pastoral.
A princípio, pode parecer uma missão muito difícil e complicada, mas a partir do momento que fazemos por amor a Deus e ao próximo e nos abrimos à ação do Espírito Santo, tudo se torna fácil.

13 de julho de 2018

Deus se revela e nos desperta para vê-lo _ Resumo do Roteiro de Grupo de Reflexão

Sequência dos resumos do mês de março.

Um dia, uma linda e doce menina chamada Vânia contou-nos que quando criança, ganhou uma formosa boneca. Era a sua primeira boneca. Ficou muito feliz. Seus olhos brilhavam e o sorriso entornava pelo canto da boca. Disse que toda pessoa que chegava à sua casa, ela a tomava pela mão e a conduzir até seu quarto,  onde estava a boneca, para apresentar o presente.

 Quando experimentamos uma alegria muito grande,  temos  necessidade de compartilhá-la. Quando passamos por uma experiência profunda, encantadora, "forte demais"  logo ficamos fascinados, e queremos entender melhor o que está acontecendo. Necessitamos disso, pois nosso coração fica inquieto. É isso que aconteceu com a Samaritana, ao descobrir que presente lindo ela encontrou,  na beira do poço. 


Jesus se revelou a ela. (A revelação  é um passo importante para iniciação à vida cristã). 

 Através daquela palavra de Jesus ( João 4, 26) "Sou eu que estou falando contigo", percebemos que Ele se revela à Samaritana e também a cada um de nós, hoje. 

Quando Jesus se revela, Ele lança luzes sobre nós e também nos mostra quem somos. Isto aconteceu com a Samaritana e também acontece  com cada um de nós, que se aproxima de sua Luz.

Jesus se revela, se mostra para a mulher Samaritana, como sendo o Messias, isto é, o Cristo, o Deus que nos salva, a água viva que nos sacia,  para não termos mais sede . Deus se mostra a nós e, ao fazer isso, também mostra quem nós somos . Foi isto que aconteceu com a Samaritana.  Depois que Jesus se revelou, ela também foi revelada,  mostrada. Ela foi apresentada como uma mulher de" muitos maridos", ou seja a Samaritana , que representa todo o seu povo, estava sendo infiel ao único esposo,  que é Cristo. Dizer que tinha muitos maridos simboliza que estavam adorando outros deuses. 

Nosso  processo de iniciação à vida cristã é parecido com essa experiência do encontro,  que a Samaritana fez com Jesus . Ele nos mostra quem somos e quando estamos adorando a outros deuses, e não ao Pai, em espírito e verdade.

 A Samaritana descobriu que Jesus não a condenava. Ele abre nossos olhos para andarmos pelo caminho certo. Jesus a faz saber que ela pode ser incluída entre os adoradores, que o Pai procura . Deus Pai deseja encontrá-la. As duas frases pronunciadas por Jesus dizem tudo: " Sou eu que estou falando contigo". Esse versículo mostra o ápice do encontro da Samaritana com Jesus. Antes a Samaritana falava do Messias e agora ela descobre que fala diretamente com Ele, em pessoa. O que antes era esperança mal definida, agora é presença, é pessoa encontrada.

Depois que Jesus se revelou à Samaritana,  como o Messias,  a fonte de água viva, o Caminho a Verdade  e a Vida, e ela ficou tão encantada, por estar falando diretamente com o Filho de Deus, que foi correndo até a cidade da Samaria, contar aos outros habitantes. 
(O anúncio, outro passo importante no processo de iniciação à vida cristã)
Aqui acontece a experiência do anúncio.



É isso que o missionário faz! Conta a sua experiência de encontro com Jesus, para as pessoas da sua família e vizinhos.

" Venham e verão um homem que me disse tudo que eu fiz. 
Esse é o convite que o Missionário faz: 



Vinde ver! 
E, às vezes interroga, colocando o mistério que sentiu: Não será Ele o Cristo? Esta dúvida suscita nela a Esperança. 




O Diálogo que nos leva a conhecer Jesus - Resumo do Roteiro de Grupo de Reflexão

Sequência dos resumos . Roteiro do mês de março.

 Diálogo lembra palavra. E Palavra nos lembra a Bíblia e a Bíblia nos leva a conhecer Jesus e a amar o irmão e a irmã .

 O diálogo, com e sobre Jesus, muda nossas vida. Transforma-nos em pessoas generosas e comprometidas com a sua causa.

 Jesus quer se dar a conhecer. Ele se aproxima e  inicia o diálogo com a Samaritana. A Samaritana sabia que o Messias viria um dia,  mas não o conhecia. Sua compreensão sobre Jesus vai se dando aos poucos, de forma gradativa. A experiência de conhecer Jesus marcou e transformou sua vida. A água que Jesus dá é a sua própria Palavra, cheia de sabedoria divina. É, por meio da vida cristã,  que guardamos  esta preciosa Palavra que nos levará à vida eterna. 

"Nosso amado Papa Francisco tem-nos instigado a sermos uma igreja em saída. 



Porém, se nós não estamos conseguindo evangelizar os que vêm até nós, como podemos ser uma Igreja em saída? E aquelas pessoas que nos procuram na hora do Sacramento,  mas nunca  assumem a vida cristã? A criança participa da catequese de iniciação à Vida Eucarística e, depois, da catequese crismal; e muitos se afastam da Igreja. Depois, volta e participam da preparação para o matrimônio, se casam e novamente se afastam. Daí veem os filhos. Novamente, mais um "cursinho" para o Batismo! E ficamos na angústia de novamente, vermos aquela família afastada. 
Será que  a nossa ação pastoral e o nosso testemunho,  os encantam pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo?" 


Assumir a vida cristã é um processo.




 Não se torna Cristão de uma hora para outra. É necessário muito diálogo, para se chegar ao conhecimento da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. O diálogo de Jesus com a Samaritana nos mostra isso. Ela se interessa na conversa, mas sua compreensão é gradativa. 

Sobre as coisas de Deus, nunca saberemos tudo. 
Somos eternos aprendizes na comunidade.




A experiência, que a Samaritana fez com Jesus, mudou a vida dela. Os maridos dela representam as idolatrias da religião, praticada em Samaria . Os samaritanos, sem se perceberem, se distanciaram do Deus verdadeiro. O fato deles cultuarem um deus, significa que procuraram saciar suas sedes.
 Mas, somente em Jesus,  encontraram esta vida nova.

   O verdadeiro Cristão é aquele que pratica as obras da Luz: em sua família, na comunidade e no mundo.




9 de julho de 2018

5 de julho de 2018

Um depoimento que vale a pena ser compartilhado


Todas as vezes que vamos à Guanhães,  Bernadete e eu conversamos durante o percurso sobre a catequese.  Mais na volta do que na ida.
Na volta estamos mais abastecidas e queremos retransmitir, principalmente com ações, nem sempre possíveis, tudo o que vivenciamos lá.
E, desta vez, ficamos pensando sobre o nosso chamado:  O que me moveu e ainda me move para ser catequista? Como foi o meu chamado? E, por que respondi "Aqui estou? "
É preciso, sempre que possível, respondermos estas questões. Não para o grupo, mas pra mim mesma/o.
Como tem sido minha participação, minha colaboração, minha entrega na catequese?
Às vezes, em alguns encontros, ouço catequistas responderem assim: meu nome é..., sou catequista e estou há 3, 5...anos na catequese. Fica parecendo que estamos diante de uma vaga de emprego com um currículo em mãos. Quanto mais tempo eu tenho, mais contam a minha experiência.
E, é interessante, que na catequese, quanto mais tempo eu tenho de caminhada, mais eu tenho que aprender.
Não basta saber teorias.
Há um tempo, recente, eu imaginava que a catequese deveria ter: o Ano Litúrgico (cheguei a passar para meus catequizandos da Crisma), a História da Igreja (ah céus, quanta inocência), o que é a Bíblia, quantos livros e por aí vai.( O que não é proibido...Mas não conteúdos principais).
Nesta caminhada, tenho percebido que é preciso menos informação e muita formação. É através dela que vamos moldando nossas ações, percebendo o que realmente se faz necessário, sem sensacionalismo e infantilismo: formar cristãos católicos apaixonados por Jesus e por Seu projeto de amor e salvação. Esta tem que ser nossa catequese, através da contemplação da natureza, da contemplação da cruz, o quanto Ele nos amou e o quanto nos ama, principalmente para aquele catequizando e sua família que, às vezes, nem sabe o que é amor.
Mostrar o amor por um filho pródigo; à pessoa menos favorecida; as parábolas; como escolheu os doze; os mandamentos; o Pai Nosso; enfim, tudo na Bíblia, no Novo Testamento.
Mas para isto, precisamos estudar, estarmos sempre em formação.
Então, quando você escutar o chamado para um encontro, abra os olhos e o coração e se deixe inundar pelas luzes do Espírito Santo, que sabe dos seus afazeres, das suas lutas e lhe fortalece para que você continue sendo Sal e Luz na vida de seus catequizandos,  da sua paróquia, da sua comunidade, da sua Diocese.
 Não queira fazer barganha com o projeto de Jesus. Cuidado!
Jesus estava no meio de uma multidão e alguém O chama: "sua mãe e seus irmãos estão lá fora querendo falar contigo." E Ele responde: "quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" E apontando com a mão para seus discípulos, disse: "Eis minha mãe e meus irmãos. Pois aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe. " Mt 12, 46-50.


Gláucia Utsch M. Ferreira
Membro da Coordenação paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Conceição do Mato Dentro e membro da Coordenação Diocesana de Catequese.

3 de julho de 2018

Sugestão de como trabalhar um encontro de catequese

O itinerário de um encontro, para muitos, é velho ou muito conhecido. Acontece que existem muitos catequistas iniciantes e precisam estar seguros de como proceder ao realizar algum encontro.

a) Acolhida: é a sala de visita do encontro. Pode ser expressa de muitas formas: gestos, cantos, símbolos, surpresas...
É importante que todo catequizando encontre sempre um ambiente acolhedor, fraterno amigo. Seja reconhecido na sua individualidade, chamando-o pelo nome. Todo participante que se sente aceito e amado, participará com mais alegria e motivação.

b) Olhar a vida, ou ver a realidade, suscita a capacidade para a sensibilidade, consciência crítica, perceber com o coração e a inteligência aquilo que se passa ao redor. Não é só olhar a realidade superficialmente, mas possibilitar o aprofundamento de fatos, causas, consequências do sistema social, econômico-político e cultural dos problemas.
O olhar a vida é o momento de ver o chão onde vivemos e de preparar o terreno da realidade para depois jogar a semente da Palavra de Deus. A parte do ver pode ser concretizada através de desenhos, visitas, entrevistas, histórias e fatos contados, notícias, figuras, vídeos, dramatização...

c) Iluminar a vida com a Palavra (Julgar).
A partir da vida apresentamos a Palavra de Deus. Podemos compará-lo com a luz existente dentro de casa. Ela ilumina todo o ambiente isto é, nos mostra qual a vontade de Deus em relação à vida das pessoas, seus sonhos, necessidades, valores, esperanças...
Fazemos um confronto com as exigências da fé anunciadas por Jesus Cristo, diante da realidade refletida.
Dentro do julgar também colocamos o Aprofundamento da Palavra. Nesta parte aumentamos a luminosidade da casa para poder enxergar melhor.
É a hora que refletimos com o grupo para fazer uma ligação mais aprofundada da Palavra com a vida do dia-a-dia e perceber os apelos que Deus nos faz. Pode-se perguntar: O que a Palavra de Deus diz para a nossa vida? Sobre o que nos chama atenção? O que precisamos mudar? Que apelos a Palavra faz para mim e para nós?
O aprofundamento pode ser feito ainda com encenações, dinâmicas, cantos, símbolos...

d) Celebrar a Fé e a Vida.
É um momento muito forte. É como se estivéssemos ao redor de uma mesa com um convidado especial.
O celebrar é como saborear em conjunto na alegria, ou no perdão, algo que nos alimenta porque nos dirigimos, nos aproximamos do convidado especial, que é Deus.
A celebração não deve ficar apenas na oração decorada. Os catequizandos aprenderão a conversar naturalmente com Deus como um amigo íntimo. É importante diversificar a oração usando símbolos, cantos, gestos, salmos, silêncio, frases bíblicas repetidas, relacionando sempre ao tema estudado e com a vida.
A partir das celebrações dos encontros é possível motivar os catequizandos na participação das celebrações, cultos, novenas, grupos de reflexão.

e) Assumir ações práticas.
Todo encontro precisa conscientizar que ser cristão não é ficar de braços cruzados, e nem ficar passivo diante da realidade.
Trata-se de encontrar passos concretos de mudança das situações onde a dignidade é ferida, a partir de critérios cristãos.
O agir é transformador e comprometedor. Está ligado à vida e à Palavra de Deus que questionam e exige a mudança nas pessoas, famílias, comunidade.
Cada catequista necessita provocar o seu grupo para ações práticas. É preciso respeitar cada faixa etária, mas não será impossível fazer algo concreto. Os compromissos podem ser discutidos e assumidos de forma individual ou grupal.

f) Recordar o encontro.
Não se trata aqui da aplicação de exercícios para decorar conceitos. O recordar nos leva a ruminar o que foi refletido, aprofundado, trazendo à memória algo essencial para ser fixado. A memorização é necessária, sobretudo para conteúdos básicos de nossa fé. Se for aplicada alguma atividade, que esta seja para desenvolver o espírito comunitário de fraternidade, partilha, amizade e ajuda mútua. Pode-se também pedir a ajuda para a família, sobre questões práticas.

g) Guardar para vida.
Este passo dá importância à Bíblia. Precisamos que nossos catequizandos tenham na vida e na fala a Palavra de Deus. A partir do assunto tratado no encontro, podemos usar uma ou duas frases, tiradas dos textos bíblicos usados que dão a síntese do conteúdo, para serem compreendidas e vivenciadas.
As frases poderão ser escritas em papelógrafo ilustradas com desenhos, ou figuras e fixadas em local para serem vistas e memorizadas.

h) Avaliar.
A avaliação ajuda a alegrar-se com as descobertas feitas, pelo que aconteceu de bom. É ela também que faz verificar as falhas, corrigir o que não foi bom.
Não podemos ficar somente no que o catequizando “aprendeu”, isto é, se sabe os mandamentos, sacramentos, mas é preciso avaliar as relações interpessoais, a responsabilidade, o comprometimento, o assumir os valores evangélicos como: diálogo, partilha, capacidade de perdoar, atitudes de fraternidade.
A avaliação é um passo precioso de crescimento. Ela faz parte de qualquer encontro.
São muitas as formas de avaliar. Podem-se utilizar dinâmicas, debates, partilha em grupo, individual, ou ainda, os próprios participantes escolhem alguém que no final do encontro poderá dar a sua opinião.
A grande fonte de avaliação é a observação atenta do que ocorre durante o processo catequético. Portanto, a avaliação não é só olhada dentro de quatro paredes, mas envolve a vida toda.

Parece simples preparar um encontro, mas, como vemos, exige do(a) catequista dedicação, carinho e aprofundamento para tornar cada encontro, um espaço de crescimento mútuo.
Ao olharmos Jesus com seus apóstolos, veremos que seu método também tinha estes passos. É só verificar algumas passagens, como a dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) ou ainda o encontro com a Samaritana (Jo 4, 1-30) ou Zaqueu (Lc 19, 1-10).
Qualquer ambiente era propício para acolher-ensinar-aprender-conviver. Para Ele a importância estava nas pessoas.

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