11 de setembro de 2018

Resumo - Roteiro para os Grupos de Reflexão-Aprendendo da História e da Realidade - Mês de Abril -Iniciação à Vida Cristã - Processo Catecumenal -Segundo encontro

                                     UM CAMINHO A SER PERCORRIDO À LUZ DA FÉ


O Evangelho de Lucas 24, 35- 48 começa, quando os discípulos de Emaús voltam a Jerusalém à comunidade. Entram na sala, onde estão os apóstolos e contam o que o Senhor tinha feito com eles. Nesse  exato momento, aparece Jesus . Por que o Senhor aparece exatamente na hora da narração ? Por que não apareceu antes ou depois? Como o senhor se identificou ?Ele mostrou as mãos e os pés. Imediatamente pensamos nas chagas. Por que as mãos e por que os pés? Ele foi um grande andarilho. Caminhou para que as suas mãos tocassem os cegos e os fizessem ver;  tocassem a pele machucada de um leproso e o curasse. O senhor soprou e abriu-lhes a inteligência. Precisamos ter a inteligência aberta. A inteligência percebe a realidade, por ela lemos a escritura, podemos entender o projeto de Deus, como a história se constrói e, na história, percebemos seu agir.




A partir do segundo século, a Igreja aos poucos, estruturou um processo para iniciação de novos membros à Comunidade Eclesial,  como o cristão prontos a celebrar a fé e a assumir a missão. Tal processo de iniciação, mais tarde, foi denominado Catecumenato. Sua finalidade era possibilitar, por meio de um itinerário específico de iniciação,  a preparação, prioritariamente de pessoas adultas, que tinham manifestado o desejo de assumir a "fé da igreja". Elas aceitavam entrar e prosseguir, por um caminho bem articulado de aperfeiçoamento do propósito de conversão, celebrado na recepção dos  "sacramentos da iniciação cristã". Era um caminho que acolhia a salvação de Deus e se expressava na vida da Comunidade . Por isso, ao longo do itinerário  catecumenal, havia uma série de ensinamentos,  um conjunto de práticas litúrgicas e, de modo especial, uma séria demonstração de vida cristã, através da participação na vida da Comunidade .

O declínio do processo catecumenal aconteceu, no contexto do que se chamou de cristandade, quando a maioria das pessoas se tornou cristã. Gradativamente, a transmissão da fé cristã acontecia como herança recebida. As pessoas nasciam em ambiente cristão, e iam adotando os comportamentos e as práticas do meio religioso ao qual pertenciam. Era um cristianismo herdado, transmitido como tradição familiar e social. Na cristandade medieval, os Sacramentos da iniciação eram celebradas sem muita relação entre eles. A fé encontrava expressão das devoções aos santos, nas peregrinações, v nas penitências. Grande importância passaram a ter as orações decoradas. A Palavra de Deus era proclamada nos sermões,  encenada ao longo das profissões e festas, e representada na pintura,  na escultura, no teatro, nos cantos e nas narrativas populares . Era uma catequese da Piedade popular.


 A Igreja, após o Concílio de Trento, elaborou um Catecismo, a ser utilizado pelos Párocos, centrada no conhecimento da doutrina da fé, na instrução moral, na celebração dos sacramentos e nas orações cristãs. Esta estrutura deu origem a um processo, no qual o Catecismo passou a ser a referência oficial de transmissão da fé. Este foi o modelo de caráter mais doutrinal. Uma parte da população continuou alimentar sua fé,  por meio da piedade popular.

Além da Palavra e da fração do pão, de que outras maneiras o Senhor se revela hoje?





Resumo - Roteiro para os Grupos de Reflexão-Aprendendo da História e da Realidade - Mês de Abril -Iniciação à Vida Cristã - Processo Catecumenal


Primeiro encontro : Iniciação à Vida Cristã ontem e hoje
Quando lemos o Evangelho, João 20, 19-31 a primeira internação é imaginar que essas cenas são descrições. Se assim fosse, teria sido muito fácil para os apóstolos crer em Jesus. Viram, pegaram,  tomaram e tocaram. Vemos que Tomé colocou  condição para crer,  como muitas vezes colocamos condição para amar. Quando colocamos condição para amar ou  para crer, não amamos e não cremos.  O amor é um salto no escuro . Então, Tomé não acreditou depois que tocou? Não. Ele teve que renunciar às condições para crer. Todos esses gestos de Jesus não são para os sentidos. São para o itinerário interior do amor. Os seus olhos físicos não podiam ver Jesus ressuscitado.  Jesus tinha outra dimensão. Assim, os olhos físicos não veem. O amor não vem dos olhos físicos. Quando amamos O que vemos, ainda não amamos. " O essencial é invisível aos olhos". O que vemos é sinal,Sacramento,  para que possamos alcançar o mistério maior, que a vista não alcança.



A igreja, que somos todos nós, discípulos- missionários, que seguimos e anunciamos o Senhor, é chamada, hoje, a promover um novo encontro luminoso, um novo diálogo, com novos interlocutores, reconhecendo que nos encontramos em um momento histórico de transformações profundas. O Documento de Aparecida caracteriza este momento como de " mudança de época".  Em nosso país, essas transformações assumem características comuns, que  "afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos" da vida, da família, da sociedade. Nesse cenário de mudança, a Igreja vive e age. Há um passado que pode impulsionar -nos a buscar constantemente novos caminhos, para que cheguemos a viver, com autenticidade e zelo ardente, o seguimento de Jesus, a partilhar com ele a missão de fazer acontecer o Reino no mundo de hoje.

Se ouvires a voz do vento/Chamando sem cessar//A decisão é tua/A decisão é tua...
Se ouvires a voz do tempo/Mandando esperar/ A decisão é tua...

Jesus formou discípulos e discípulas, instruindo-os com sua original atitude de acolhida, de compreensão e de valorização das pessoas, principalmente das marginalizadas. A vida de Jesus transformou de tal modo essas mulheres e esses homens, que,  aos poucos, foram compreendendo que a salvação Cristã é vida concreta, existência cotidiana, de relação pessoal, com Deus e com os irmãos e irmãs;  também, libertação do pecado, das injustiças e das limitações humanas. A expressão "novo" é fundamental nas atitudes de Jesus: odres novos (Mateus 9,17), mandamento novo
( João 13,34) nova Aliança (Lucas 22,20) . Tudo isso teve seu ponto alto na entrega pessoal de Jesus, da sua própria vida na cruz, na certeza da sua  ressurreição, para permanecer conosco para sempre.

O trigo já se perdeu/Cresceu, ninguém colheu/E o mundo passando fome/ Passando fome de Deus/A decisão é tua/ A decisão é tua...

16 de agosto de 2018

Teografia - Neusa Maria Dias Nascimento de Peçanha


Sou  casada, tenho dois filhos e sou catequista.
Descrevo aqui um pouco da minha vida em Cristo. Como senti e sinto a presença desse Deus Misericordioso que fez e faz maravilhas em mim. Assim diz o Senhor: “ Pois és muito preciosa para mim, e mesmo que seja alto, a teu preço, é a ti que eu quero; entrego nações para te conquistar! Não tenhas medo, estou contigo! Is 43. 4...Como não me apaixonar...
                A minha infância eu a passei em Santo Antônio dos Araújos, pequeno vilarejo de São Sebastião do Maranhão. A minha primeira catequista foi minha mãe que muito me educou na fé. Meus pais católicos fervorosos, muito nos ensinou a seguir, amar a Jesus e ao próximo. Minha mãe hospedava todos os padres e até os bispos, lembro de Dom Geraldo. Para nós, era motivo de muita alegria, comidinhas gostosas, docinhos e muito mais.
                 Lembro-me muito bem dos terços diários, éramos 12 e todos nós ajoelhávamos ao redor da cama para rezar com meus pais e não podia ter cochilos, que logo meu pai, com autoridade e carinho dizia: acorda fulano! Confesso que às vezes,batia aquela preguicinha, vontade de continuar aquela brincadeira com os colegas, porém a reza do terço era momento sagrado. Meus pais nos levavam à missa, novenas, quermesses, coroações, procissões etc.
                Cresci, saí para estudar e a fé esfriou um pouco. Ia à missa aos domingos, grupos de jovens, mas já não era prioridade,pois tinha outros objetivos e pensava que seguiria meus caminhos sem Cristo. Sentia-O  distante. Me formei e comecei a trabalhar e vejam só: com Ensino Religioso, Jesus se fazendo presente e foram dois anos. Tínhamos a missa com as crianças, coroações. Senti-me um pouco só, as outras colegas não acolhiam, não sentiam necessidade de estar conosco, nos apoiando. Com certeza, Jesus e Maria, sim, presentes em todos os momentos.
                Os tempos foram passando, vieram os namoros e o casamento. Tive dois filhos, bênçãos de Deus, Plínio e Jefferson. Jefferson especial, maior prova de amor para comigo e meu marido Cloves. As cruzes vieram, muitas... mas em todas elas, Deus caminhava comigo.
                Em 1999, mudei-me aqui para Peçanha, precisava colocar Jefferson na APAE, minha cidade não tinha e ele precisava de cuidados especiais, específicos. Transmitia para eles o que aprendi na minha infância com meus pais. A importância de ter Jesus em nossa vida, nos orientando, formando e cuidando.
                 Em 2004, aconteceu a maior prova de Deus na minha vida, uma cruz difícil de carregar, se eu estivesse só. Levei Jefferson para fazer um tratamento de dente, que precisava de anestesia geral, no hospital em Belo Horizonte. Aconteceu o inesperado: Meu filho sofreu uma parada cardiorrespiratória, ficou no CTI e muitas complicações vieram, foram meses de sofrimento, angústia, esperas e muita oração. Quem me segurou foi Deus com seu amor de Pai e Maria que me colocou no colo, não só a mim, mas a toda minha família. Foram momentos de muita oração e solidariedade de amigos. Ali formávamos uma grande família, muitas mães passando também por sofrimento colocando seus filhos nas mãos de Deus.
                Rezávamos o terço pertinho de Jefferson todos os dias. Quando ele piorava a capela era nosso refúgio, ali nos entregávamos no colo do Pai. Jefferson partiu para junto de Deus, mas as orações nos deram forças. Eu Senti o acolhimento de Maria que me abraçava em cada irmão e Jesus pedia de volta o seu filhinho, de agora em diante ele cuidaria. Entendi e aceitei. Foi muito doloroso, tive meu luto, mas não perdi a fé! Fortaleceu ainda mais.
                 Trabalhei,orei pela vida, presente de Deus. Gratidão ao meu supremo Deus! Passou o tempo, fui presenteada por uma neta, Emilly. Até que uma amiga, Maria,uma catequista, convidou-me para a catequese e eu aceitei o convite e aqui estou.  Com ela aprendi muito, a minha  gratidão. Em nossos encontros fui procurando me aperfeiçoar, me formar, para anunciar a muitos a Palavra de Deus.
                Continuo aprendendo muito com  pessoas maravilhosas, nos tornamos uma grande família em Cristo, apoiando um ao outro. Hoje sou apaixonada por Cristo, nosso supremo Deus. Seguirei na certeza de que nunca estarei só, vou estar atenta para ouvir os passos de Jesus ao meu lado, ouvi-lo na sua Palavra, até encontrá-lo.
                E como dizia o  profeta Isaías: “ o Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me para levar a boa nova aos pobres, para curar os de coração aflito, anunciar aos cativos a libertação!
Então digo: Eis-me aqui Senhor, usa-me!

14 de agosto de 2018

A música no espaço sagrado - Formação litúrgica





Em todos os tempos e lugares, homens e mulheres, de todos os meios e níveis sociais, de todas as culturas e religiões, costumam realçar, ao longo da existência, aspectos fundamentais da vida individual, familiar, social e religiosa. Levando em consideração esses aspectos, entendemos que; celebrar é parte integrante da vida humana; que é tecida de trabalhos e de festas, de horas gastas na construção e espaços destinados a usufruir seus resultados.

É a celebração nos leva à grandeza de nosso ser, e de nosso compromisso em sermos de imagens de Deus; grandeza, que corremos o perigo de esquecer nas lutas pela vida, e nas frustrações da existência. Imagens, por que se somos cristãos. E de fato, temos a obrigação de sermos exemplos, que reflitam Deus, para os outros.

Entendendo que todo esse momento, em que se evoca o fato passado para revivê-lo intensamente o nosso hoje; a celebração ocupa na vida humana, um lugar privilegiado: porque põe homens e mulheres em comunhão entre si e com Deus através dos símbolos, sinais e melodias.

 Nas celebrações religiosas sobretudo litúrgicas, há muitos objetos, gestos e atitudes especiais das pessoas: altar, cruz, luzes, toalhas, palavras e melodias que refletem a presença de Deus... E esses objetos entram na Liturgia como símbolos e sinais significativos que complementam a mesma.  Nesse sentido é que, nossa liturgia se reveste e abre espaço para as expressões de nosso povo. E assim, conseguem a participação de “todas as pessoas e da pessoa toda”.

Santo Agostinho, já dizia com convicção: “Cantar é próprio de quem ama, e que canta; reza duas vezes”. Tendo essa afirmativa como base, vemos que o cântico, quando se é bem cantado, tem o poder de nos colocar profundamente em oração e em sintonia com o mistério celebrado. E o santo, muito feliz em sua afirmativa, nos leva a entender que cantar bem e liturgicamente, é e será sempre, o eixo condutor, e explicativo de tanta preocupação com o conforto dos fiéis nas celebrações, em relação à contemplação do mistério.

 Convictos então, de toda essa mística celebrativa, jamais queiramos ser ministros de música, espelhados no trabalho do “garçom”; que apenas serve aos outros o banquete. É preciso que participemos também, ativos, de cada momento da celebração; que sentemos à mesa, e participemos do banquete ali servido. Somos sempre “convidados para a ceia do Senhor”.


E ao participar dessa Ceia, formamos um só corpo, tendo Cristo como corpo e cerne de toda a igreja, que em cada páscoa semanal se reúne para viver a liturgia, numa profunda intimidade a partir da oração, do Pão Palavra e do Pão Eucarístico.

Uma das melhores expressões da participação do povo na liturgia é a Música Litúrgica. Onde há manifestação de vida comunitária existe canto; celebra-se a vida. Por isso, no Brasil, a renovação litúrgica tem alcançado um dos seus pontos mais positivos, pela criação de uma música litúrgica em vernáculo que tem procurado corresponder ao sentimento e à alma orante do nosso povo, fazendo-o participar das funções litúrgicas de modo expressivo e autêntico. Nesse aspecto teremos a certeza de que nossa vida será de fato, uma eterna canção que seja agradável a Deus e que motive os irmãos a tomarem gosto pelo que é cantado e celebrado na sagrada Liturgia.

Referências
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Pastoral da música litúrgica no Brasil - 7 – 2º ed. São Paulo, SP: Paulinas, 1979.
INSTRUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO – Terceira Edição – 2º ed. São Paulo: Paulinas, 2010.
GUIA LITÚRGICO PASTORAL (CNBB) – 3º ed. Brasília, DF – 2017

                                                                                       Michel Hoguinele

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