15 de agosto de 2014

Ser Catequista - Espiritualidade do catequista - Por Dom Jeremias.


Sempre na Igreja a transmissão da Fé se dá mais por testemunho e vivência do que por ensino e doutrinação.
É vital que o catequista dê testemunho vivo e atraente daquilo que está querendo comunicar : O encontro e a adesão pessoal a Jesus Cristo e ao seu Evangelho.
Antes isso era mais fácil. Tudo colaborava: sociedade, comunidade, família, paróquia. Hoje o catequista precisa viver fortemente a Boa Nova de Jesus Cristo se quer realmente que seus catequizandos sejam iniciados na fé.
A Espiritualidade Cristã é a vivência da fé e do agir de todos os dias sob a ação do Espírito Santo. É uma realidade interior que nos impulsiona a fazer o bem e a transformar o que necessita ser transformado. É um estilo de vida marcado pela busca de Deus, por meio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que deve ser construído cotidianamente com perseverança, otimismo, compromisso e santidade. A espiritualidade está no modo de ser, viver, falar e agir.
O catequista precisa, entre outros elementos fundamentais para a vivência humana cristã, de uma sólida vida espiritual. Ser pessoa capaz de perceber a presença de Deus nas atividades humanas e nos acontecimentos da história, que saiba enxergar todas as pessoas com os olhos ternos e misericordiosos de Deus.
A espiritualidade do catequista marca o seu próprio ser, e por isso ele vive a totalidade de suas ações numa atitude de fé e compromisso com o próximo. A espiritualidade colaborará na vida do catequista a ponto de ser ele o mistagogo.
Aquele que faz um caminho com o outro, que é capaz de tomá-lo pela mão e conduzi-lo pela mão e conduzi-lo aos mistérios da fé para o encontro pessoal com Jesus Cristo, Mestre e Senhor.
I)Considerações importantes a respeito da espiritualidade:
Todo ser humano é chamado a uma vida espiritual, a viver sua própria santidade. A santidade é a vontade de Deus desejada para todos os seus filhos. Ver Ex 15,11; 19,6; Lv 19,1; Dt 7,6
Ver também Lc 4, 17-20 - programa de vida de Jesus Mt 5, 1-12
Vaticano II - Lumem  Gentiun , 42 - Todos somos chamados a viver a santidade.
Espiritualidade vem de Spiritus ou do verbo spirare, “soprar”. A espiritualidade é uma “força” que nos motiva a viver de corpo e alma, e por isso nos envolve inteiramente. O espírito é o que há de mais profundo, forte e verdadeiro em nós. É o que nos impulsiona a viver plenamente. Jo 10,10
A espiritualidade é a força que Deus nos dá para nos mantermos fiéis aos compromissos pessoais e comunitários voltados para a transformação da sociedade tendo em vista o bem comum.
A espiritualidade é um jeito de viver, uma maneira de ser livre e sintonizado com as coisas de Deus, da Igreja, da família, da natureza e do mundo à luz do Espírito Santo. É uma necessidade vital para todas as pessoas, principalmente para os educadores da fé.
A espiritualidade trinitária nos torna autênticos, dinâmicos, firmes na fé e perseverantes na missão que a Igreja confia a cada um de nós e faz com que nos posicionemos diante da realidade, levando-nos a ver os acontecimentos do mundo com os “olhos de Deus”.
A espiritualidade não consiste simplesmente na realização de experiências espirituais, de orações preestabelecidas ou até mesmo espontâneas, mas num modo de ser e de viver de acordo com a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja.
II)           Elementos  fundamentais da espiritualidade do catequista:
Abastar-se da graça e dos dons do Espírito Santo: Somente Ele pode nos mover e nos impulsionar numa autêntica e profunda espiritualidade Cristã.
1.            Jesus Cristo morto e ressuscitado
Fonte original e fundamental da Espiritualidade. Dele nasceu outras fontes: a vida, a Palavra, a Eucaristia e a Missão. Ver Hb 1, 1-3.
O discipulado e o seguimento de Jesus são as dimensões mais importantes da espiritualidade Cristã. O ponto de partida da espiritualidade Cristã é o encontro com a pessoa de Jesus Cristo. Todos  especificamente  se fundamentam na opção e na prática de Jesus.

O seguimento de Jesus Cristo define o catequista e nos ensina que quanto mais humanos formos, mais perto de Deus chegaremos e mais santos seremos; inspira-nos a ficarmos mais parecidos com Ele, compreendendo e atualizando em nossa vida o projeto do Filho. Tal seguimento vive-se no dia-a-dia da história pessoal e comunitária de cada um de nós.
É o processo do amor, da conversão, do compromisso, da fidelidade, da solidariedade, no qual o catequista experimenta o cumprimento da missão catequética. Todo sofrimento humano, à luz da Páscoa do Senhor, é transformado em esperança, otimismo e vida nova.
2.            A palavra de Deus:
O Catequista deve amar a Palavra de Deus.  A Bíblia é um espelho no qual vemos a nossa vida e a vida de todas as pessoas a nós confiadas. É a principal fonte de espiritualidade. É a nossa orientadora de trabalho. Nossa ferramenta.
Ler a Bíblia a partir de Jesus Cristo. Ele é a nossa chave de leitura.
Ler  também com o coração da Igreja.
A Bíblia antes e depois do Concílio Vaticano II:
Vaticano II: confirmou a centralização da Palavra na vida e na missão da Igreja. Afirmou que o estudo da Palavra deve ser a alma da Teologia.
Compreender a tradição oral das Sagradas Escrituras. Cuidado com os fundamentalismos. Contextualizar sempre. Preocupar-se com a mensagem. O texto em seu contexto deve estar a serviço da mensagem.
Alimento cotidiano de todos nós.
Fazer sempre a leitura orante.
Meditação, oração, contemplação, transformação.
3.            A Eucaristia
Fonte e Cume de toda a vida Cristã. Do mistério Pascal de Cristo nasce a Igreja. Está colocada no centro da vida da Igreja.
Memorial: Ata de compromisso com a pessoa e a proposta de Jesus Cristo. Na Eucaristia assumimos Deus em nossa vida, assim como o projeto de Deus como Igreja-comunidade. Na Eucaristia nós nos tornamos hóstias vivas.
Ela nos conduz ao caminho da unidade, a sentir e a amar a Igreja.
É sinal de compromisso com Cristo, com sua Igreja e com os irmãos.
O catequista participa da celebração da Eucaristia como ato central de sua vida, que alimenta sua vida, de oração, de contemplação e de ação encarnada na vida do povo querido e amado de Deus.
4.            A Oração
É indispensável na nossa vida. Ela é como a respiração de nossa fé: sem oração somos como um “motor sem combustível” ou “uma planta sem água”.
Procurar o seu ritmo de oração.
É a vida do coração novo, e deve nos animar a cada momento.
Oração vocal.
A meditação - pensamentos, imaginação, emoção e desejo, silêncio, dialogar com Deus no silêncio.
A contemplação - escuta, olhar fixamente para Jesus. É um dom de Deus. Envolve-nos por inteiro e leva à transformação de nossas vidas. Nela percebemos a presença de Deus dentro de nós.
5.            A cruz Mt 16,24
6.            A conversão
Jesus se apresentou como aquele que liberta a humanidade da escravidão do pecado (Mc 2,1-12; Le 19, 1-10; Jo 8,3-11). Ver 2 Cor 5,20
Confissão/ Reconciliação.
7.            O testemunho
Questão de compromisso, fidelidade e responsabilidade. “A fé sem obras é morta” (Tg 2,17). O catequista precisa viver o que ensina. O testemunho é a melhor maneira de evangelizar.
Ver Jo 13,35
A Palavra que se transmite vem acompanhada sempre do próprio testemunho.
Viver o mandamento do amor. Viver a espiritualidade do Bom Pastor.
8.            Alegria e Otimismo
Sem sempre esperançoso, de bem com a vida. É feliz!
Dão plenitude à vida e brotam da satisfação mais profunda do ser humano. A raiz está no dom do Espírito At 2,46
São remédio contra o pessimismo, a tristeza e a angústia.
9.            A missão

10.          Maria, discípula e Catequista.

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