8 de setembro de 2019

Liturgia e Catequese!


Por: Maria do Socorro Santos
Vamos conversar um pouco sobre um assunto que tantas vezes nos confunde e nos deixa sem respostas diante do que realmente é, e como fazer acontecer no nosso trabalho pastoral catequético litúrgico.
Não podemos falar de Catequese e Liturgia sem ter uma visão do que seja Iniciação a Vida Cristã, esse assunto que nos nossos dias está nos questionando na nossa ação catequética e litúrgica. Vamos partir dos acontecimentos de estudos e Documentos que a Igreja nos oferece para que possamos assim poder fazer um trabalho com eficácia, e levar as pessoas realmente fazer a experiência de Jesus, vivendo assim uma autêntica vida cristã.
A 3ª Semana Brasileira de Catequese propôs um rico e aprofundado diálogo a respeito de uma Catequese com Iniciação cristã, isto é, que auxilie eficazmente no processo de iniciação da cada catequizando á experiência de Jesus Cristo, especialmente na vida comunitária e eclesial. Por todos os cantos do país fez ecoar palavras que expressam experiências significativas, expectativas, temores, anseios e, sobretudo, o sonho de uma Catequese liberta do peso das prescrições e cristalizações doutrinárias e de cunho simplesmente sacramentalista. A Imagem do caminho é paradigmático nesse momento fecundo vivido pela Igreja e, especialmente, pelos Catequistas de nosso Brasil.
Aliás, essa imagem sempre se prestou, na história, para falar da iniciativa divina de aproximar-se da realidade de seu povo para propor-lhe amorosamente a salvação (cf. Ex 3,18; Dt 8,2;Jó 23,11; Sl 119,1;Is 2,3; Jr 7,3). Jesus é o Deus caminheiro, que “armou sua tenda no meio de nós” (cf. Jo 1,14) para falar-nos bem de perto como um amigo fala com outro amigo, tornando-se Ele próprio caminho para o Pai: “Eu sou o Caminho. A Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Falar do caminho trilhado pela Catequese é recordar o testemunho vigoroso de tantas mulheres e homens que, ao longo de toda a história do Cristianismo, sinalizaram para os valores do Reino e conduziram, consigo, inúmeras pessoas à experiência de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. É trazer á memória os Santos e Mártires deste continente sofrido, que aqui fecundaram a terra com seu sangue, de cuja semeadura colhemos preciosos frutos! É falar de tantos Catequistas que, em cada época, deram o melhor de si, para que Jesus fosse mais conhecido, amado e seguido. E Jesus nos pergunta, como naquele dia perguntou aos dois discípulos que caminhavam tristes, desolados fugindo para Emaús: “O que vocês estão conversando pelo caminho?” (Lc 24,17). É Ele quem nos convida a olhar para sua prática e a reaprender seu jeito especial de Catequizar.
A catequese inicia a vida litúrgica!
“Jesus explicava para os seus discípulos todas as passagens da Escritura que falava a respeito dele” (Lc 24,27). É na caminhada com os discípulos que Jesus tem a oportunidade de aquecer os seus corações, explicando-lhes as Escrituras e o modo como o Mistério Pascal a eles se vincula. Ele, Palavra viva, fala com os seus de tal maneira a tirar-lhes as fendas dos olhos, levando-os á mesa da refeição e da experiência plena da Ressurreição. Isso nos faz pensar o quanto nossa experiência litúrgica ainda carece de autentica iniciação, o que pode ser oferecido, em grande parte, pela Catequese. São inúmeros os Documentos da Igreja que ressaltam essa necessária interação entre as dimensões litúrgica e bíblico-catequética.
A Exortação Apostólica Catechesi Tradendae ( A catequese em nosso tempo), em 1979, escrita pelo Papa João Paulo II, aponta seguramente a necessária e intrínseca ligação entre catequese e liturgia, quando diz, de forma explicita: “A catequese está intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e sacramental, porque é nos Sacramentos, e sobretudo na Eucaristia, que Cristo Jesus age em plenitude para a transformação dos homens. (…) A catequese leva necessariamente aos sacramentos da fé. Por outro lado, uma autêntica prática dos Sacramentos tem forçosamente um aspecto catequético. Em outras palavras, a vida sacramental se empobrece e bem depressa se torna um ritualismo oco, se ela não estiver fundada num conhecimento sério do que significam os sacramentos. E a catequese intelectualiza-se, se não haurir vida numa prática sacramental” (CT 23).
O Documento Catequese Renovada, traz dois preciosos números que merecem destaque por refletir a importância da interação entre Catequese e Liturgia. No número 89, lê-se: “Não só pela riqueza de seu conteúdo bíblico, mas pela sua natureza de síntese e cume de toda a vida cristã, a Liturgia é fonte inesgotável de Catequese. Nela se encontra a ação santificadora de Deus e a expressão orante da fé da comunidade. As celebrações litúrgicas, com a riqueza de suas palavras e ações, mensagens e sinais, podem ser consideradas ‘uma catequese em ato’. Mas por sua vez, para serem bem compreendidas e participadas, as celebrações litúrgicas ou sacramentais exigem uma catequese de preparação ou iniciação”. E o número posterior acrescenta: “A Liturgia, com sua peculiar organização do tempo (domingos, períodos litúrgicos como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa etc.) pode e deve ser ocasião privilegiada de catequese, abrindo novas perspectivas para o crescimento da fé, através das orações, reflexão, imitação dos santos, e descoberta não só intelectual, mas também sensível e estética dos valores e das expressões da vida cristã” (CR 90).
O Documento 84 da CNBB, Diretório Nacional de Catequese, dedicou vários números ao tema da catequese e liturgia, sempre reafirmando a mútua dependência dessas duas dimensões da ação pastoral da Igreja. Considerada, primeiramente, a liturgia como fonte da Catequese, e cita a proclamação da Palavra, a homilia, as orações, os ritos sacramentais, a vivência do ano litúrgico e as festas como momentos de educação e crescimento na fé (cf DNC 118). Sem titubear, afirma que “os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência religiosa cristã”(Idem). Logo a seguir, o Diretório insiste na Catequese litúrgica, dizendo que “é tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catecúmenos e catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no mistério pascal” (DNC 120). Assim sendo, aponta como missão da catequese preparar o cristão aos sacramentos e o ajudar a vivenciá-los através das orações, gestos e sinais, silêncio, contemplação, presença de Maria e dos santos, escuta da Palavra etc. (cf. DNC 120). No texto preparatório para a 47ª Assembleia da CNBB, encontramos a seguinte afirmação: “É muito comum criticar um certo tipo de Catequese, considerada sacramentalista. Com isso se quer falar do costume de fazer do sacramento uma espécie de ‘festa de formatura’, fim do caminho, despedida da Igreja. O sacramento vira uma espécie de costume, uma devoção a mais, sem consideração do conjunto do compromisso de fé que ele sinaliza e exige”(63). E o texto continua: “E aí temos um desafio. Temos que afirmar que todo verdadeiro processo catequético desemboca na celebração dos sacramentos, como momento culminante da participação no mistério de Cristo. O Vaticano II afirma que a liturgia é cume e fonte da vida cristã (cf. SC 10). O sacramento é a consequência de uma fé assumida, mas é também realimentação contínua dessa mesma fé. Celebramos porque cremos e assumimos (é o cume, sinal máximo de vivência e compromisso), mas, ao celebrar, fortalecemos essa crença e esse compromisso, nos alimentamos na fonte, o que nos leva a celebrar de novo, num processo que se autosustenta. Portanto, a catequese deve levar ao sacramento. Não tem sentido fazer de outro jeito. Mas só um bom processo de iniciação pode dar ao sacramento o lugar que lhe cabe, que não faça dele um ponto de chegada sem prosseguimento do caminho” (64-65).
Sobre a iniciação catequética das crianças, a própria Liturgia, por si só, já ofereça ás crianças amplas oportunidades de aprender, a catequese da Missa merece um lugar de destaque dentro da Catequese, conduzindo-as a uma participação ativa, consciente e genuína. Essa catequese, bem adaptada á idade e á capacidade das crianças, deve tender a que conheçam o significado da Missa por meio dos ritos principais e pelas orações, inclusive o que diz respeito à participação da vida da Igreja. Isso se refere principalmente aos textos da própria Oração Eucarística e às aclamações, por meio das quais as crianças delas participam. Tudo isso nos faz pensar na grande tarefa que temos de uma catequese de iniciação que realmente introduza o catequizando na experiência de Deus realizada na liturgia, conhecendo e dando sentido aos símbolos, sinais, linguagem, ritos e tudo o que compõe nosso universo litúrgico, às vezes tão distante da realidade do povo, sobretudo de crianças, adolescentes e jovens, quando não extremamente árido e enfadonho.
Por isso é importante que a Pastoral Litúrgica não pode perder de vista em nenhum momento a Liturgia dentro da Catequese. Um bom trabalho da Pastoral Litúrgica com a ajuda dos Catequistas, é necessário na formação litúrgica de qualquer Comunidade. A Catequese é o melhor momento formativo para aprender a celebrar celebrando. Pois Liturgia e Catequese devem caminhar de mãos dadas. Claro que uma não se confunde com a outra, mas em ambas existem espaços que se inter-relacionam. Toda ação celebrativa tem elementos catequéticos em seu desenvolvimento e toda ação catequética deveria ter elementos celebrativos em seu processo pedagógico. Dois pontos importantes deveríamos ter em mente que “elementos catequéticos” deveria ter elementos celebrativos”. Como em todas as celebrações existem elementos catequéticos, é bom lembrar que eles se expressam nos gestos, sinais ou símbolos ou de algum comentário para orientar a compreensão de um momento, da homilia que pode ser catequética dependendo do assunto. Tudo isso consideramos como elementos catequéticos dentro da celebração litúrgica. Mas, é bom lembrar também que quando falamos em celebração não significa que é somente a missa. Mas toda ação celebrativa que se faz na catequese nos encontros realizados. Como por exemplo: Celebrar a amizade, a comunidade, a vida, a criação, a fé que se fortaleceu por meio da catequese. E se durante determinado número de encontros catequéticos sobre o perdão, é bom que para concluir este assunto se faça uma celebração envolvendo os catequizandos. Preparar bem os cânticos, os símbolos, etc… Assim a inspiração litúrgica vai entrando na vida dos catequizandos e estes vão aprendendo a celebrar celebrando.
Isso na prática, significa o seguinte: os próprios catequizandos fazem suas celebrações. Sob a orientação do catequista, eles criam a celebração em tudo aquilo que for necessário: ambientação, escolha dos cânticos, dos textos bíblicos, ornamentação, símbolos e sinais. Veja que tudo parte deles. Se são crianças, farão a celebração do seu modo; se jovem, do jeito de jovem. O mais importante neste processo é que eles, os catequizandos, sintam-se os “fazedores” da celebração. Aprender a celebrar celebrando tem também o outro lado da moeda. O catequista deve ter o mínimo de noção da Liturgia e da celebração. Deve saber que a música de entrada não pode ser cantada como aclamação da Palavra de Deus. Deve saber quais símbolos são mais apropriados para determinada celebração, e assim por diante. O outro lado da moeda é a formação litúrgica do Catequista que deve, também ele, aprender a celebrar celebrando. Todo Catequista deve procurar conhecer bem a Liturgia da Igreja. É preciso que saiba incentivar seus catequizandos a celebrar bem e celebrar liturgicamente, na Igreja. Por isso, todo Catequista é responsável direto pela formação dos futuros celebrantes. Disso decorre a necessidade de estudar e aprender sempre mais sobre a Liturgia.
Fonte: Blogger Bíblia e Catequese. 

8 de janeiro de 2019

Memória das quatro Semanas Brasileiras de Catequese








































Memória da 4ª Semana Brasileira de Catequese


Vale a pena o vídeo!


11 de setembro de 2018

Resumo - Roteiro para os Grupos de Reflexão-Aprendendo da História e da Realidade - Mês de Abril -Iniciação à Vida Cristã - Processo Catecumenal -Segundo encontro

                                     UM CAMINHO A SER PERCORRIDO À LUZ DA FÉ


O Evangelho de Lucas 24, 35- 48 começa, quando os discípulos de Emaús voltam a Jerusalém à comunidade. Entram na sala, onde estão os apóstolos e contam o que o Senhor tinha feito com eles. Nesse  exato momento, aparece Jesus . Por que o Senhor aparece exatamente na hora da narração ? Por que não apareceu antes ou depois? Como o senhor se identificou ?Ele mostrou as mãos e os pés. Imediatamente pensamos nas chagas. Por que as mãos e por que os pés? Ele foi um grande andarilho. Caminhou para que as suas mãos tocassem os cegos e os fizessem ver;  tocassem a pele machucada de um leproso e o curasse. O senhor soprou e abriu-lhes a inteligência. Precisamos ter a inteligência aberta. A inteligência percebe a realidade, por ela lemos a escritura, podemos entender o projeto de Deus, como a história se constrói e, na história, percebemos seu agir.




A partir do segundo século, a Igreja aos poucos, estruturou um processo para iniciação de novos membros à Comunidade Eclesial,  como o cristão prontos a celebrar a fé e a assumir a missão. Tal processo de iniciação, mais tarde, foi denominado Catecumenato. Sua finalidade era possibilitar, por meio de um itinerário específico de iniciação,  a preparação, prioritariamente de pessoas adultas, que tinham manifestado o desejo de assumir a "fé da igreja". Elas aceitavam entrar e prosseguir, por um caminho bem articulado de aperfeiçoamento do propósito de conversão, celebrado na recepção dos  "sacramentos da iniciação cristã". Era um caminho que acolhia a salvação de Deus e se expressava na vida da Comunidade . Por isso, ao longo do itinerário  catecumenal, havia uma série de ensinamentos,  um conjunto de práticas litúrgicas e, de modo especial, uma séria demonstração de vida cristã, através da participação na vida da Comunidade .

O declínio do processo catecumenal aconteceu, no contexto do que se chamou de cristandade, quando a maioria das pessoas se tornou cristã. Gradativamente, a transmissão da fé cristã acontecia como herança recebida. As pessoas nasciam em ambiente cristão, e iam adotando os comportamentos e as práticas do meio religioso ao qual pertenciam. Era um cristianismo herdado, transmitido como tradição familiar e social. Na cristandade medieval, os Sacramentos da iniciação eram celebradas sem muita relação entre eles. A fé encontrava expressão das devoções aos santos, nas peregrinações, v nas penitências. Grande importância passaram a ter as orações decoradas. A Palavra de Deus era proclamada nos sermões,  encenada ao longo das profissões e festas, e representada na pintura,  na escultura, no teatro, nos cantos e nas narrativas populares . Era uma catequese da Piedade popular.


 A Igreja, após o Concílio de Trento, elaborou um Catecismo, a ser utilizado pelos Párocos, centrada no conhecimento da doutrina da fé, na instrução moral, na celebração dos sacramentos e nas orações cristãs. Esta estrutura deu origem a um processo, no qual o Catecismo passou a ser a referência oficial de transmissão da fé. Este foi o modelo de caráter mais doutrinal. Uma parte da população continuou alimentar sua fé,  por meio da piedade popular.

Além da Palavra e da fração do pão, de que outras maneiras o Senhor se revela hoje?





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