8 de fevereiro de 2020

Elementos para a Celebração Catequética

Elementos importantes para a Preparação e Realização da Celebração Catequética
Apresento, a partir desse artigo, algumas dicas de como preparar e realizar bem uma celebração catequética. Não são receitas prontas e infalíveis, até porque elas não existem. Contento-me em partilhar algumas experiências que têm dado certo em inúmeras comunidades, o que serve de base para que cada catequista possa elaborar suas próprias celebrações, a partir do perfil de sua comunidade e do grupo de catequizandos. 
Antes, porém, de partilharmos essas vivências, faz-se necessário elencar alguns elementos a serem considerados no momento de preparar uma celebração catequética. 
O que e quando celebrar? 
Se celebrar é “tornar célebres” os acontecimentos da vida, referindo-os à imensa bondade de Deus, é certo que tudo o que se passa na nossa existência é motivo de celebração. Naturalmente, alguns acontecimentos são menos significativos e outros mais. Nem tudo merece a mesma atenção ou valorização, ainda que tudo seja vida e nada escape ao coração de Deus. A própria experiência das pessoas e dos grupos vai apontando para certos eventos que precisam ser celebrados, sejam eles alegres ou tristes, vivências de calvário ou de ressurreição. Nessa hora, o bom senso e o discernimento do catequista funcionarão como antena a captar os fatos do cotidiano que serão levados para a celebração.
ssim, a partir do contexto de cada grupo, surgirão ocasiões importantes para uma Catequese celebrativa. Fatos como o nascimento ou morte de alguém; as pequenas e grandes conquistas de pessoas e da própria comunidade; a memória das testemunhas da fé – especialmente os padroeiros!-; os principais momentos do ano litúrgico; os temas mais fortes dos encontros catequéticos; valores importantes da convivência, como a partilha, o perdão, a paz, a solidariedade, a amizade, o amor; tudo isso pode ser traduzido em bonitas celebrações... O importante é não deixar que essas ocasiões passem despercebidas! 
Celebrar “a” catequese 
Mais que “celebrar na Catequese”, precisamos “celebrar a Catequese”, isto é, celebrar a caminhada de crescimento na fé, no amor, na esperança, na construção do Reino de Deus. Para isso, é necessário superar uma visão um tanto quanto superficial da oração, muitas vezes reduzida a um apêndice da catequese e da vida.
Orar não é simplesmente recitar fórmulas, num ritualismo vazio e enfadonho. As orações oficiais da Igreja (Pai-nosso, Ave-Maria, Creio, Vinde Espírito Santo, etc), surgiram de contextos de profunda espiritualidade e vivências de fé. Historicamente, percorreram estradas longas e difíceis, desde a inspiração bíblica até sua formulação, e não podem ser reduzidas a simples textos decorativos. Elas são oração, levam à oração, desde que inseridas num contexto de fé e de vida mais profundos. Não se prestam a meras repetições, muitas vezes desprovidas de sentido.
A oração, o que estamos chamando aqui de celebração, é muito mais do que recitar palavras no começo ou no final do encontro catequético. Ela perpassa todo o encontro, pode estar presente nos símbolos usados, na Palavra proclamada, nas canções entoadas com fé, nos gestos concretos que brotam da aplicação do tema à vida... No entanto, isso não acontece ao acaso, mas de maneira bem pensada e preparada pelo catequista. 
Pe. Vanildo Paiva
Mestrando em Psicologia e especialista em Liturgia e Catequese

Ver tudo com os olhos da fé

Catequese sobre os Atos dos Apóstolos - 18
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Na leitura dos Atos dos Apóstolos, continua o caminho do Evangelho no mundo e o testemunho de São Paulo é cada vez mais marcado pelo selo do sofrimento. Mas isto é algo que cresce com o tempo na vida de Paulo. Paulo não é apenas o fervoroso evangelizador, o intrépido missionário entre os pagãos, que dá vida a novas comunidades cristãs, mas também a testemunha sofredora do Ressuscitado (cf. At 9, 15-16).
A chegada do Apóstolo a Jerusalém, descrita no capítulo 21 dos Atos, provocou um ódio feroz contra ele, reprovando-o: «Mas este era um perseguidor! Não confieis!». Como foi para Jesus, também para ele Jerusalém é a cidade hostil. Ele foi ao templo, foi reconhecido, foi levado para ser linchado e foi salvo in extremis pelos soldados romanos. Acusado de ensinar contra a Lei e contra o templo, ele é preso e começa a sua peregrinação como prisioneiro, primeiro diante do sinédrio, depois diante do procurador romano em Cesareia e, por fim, diante do rei Agripa. Lucas destaca a semelhança entre Paulo e Jesus, ambos odiados pelos seus adversários, publicamente acusados e reconhecidos como inocentes pelas autoridades imperiais; e assim Paulo é associado à paixão do seu Mestre, e a sua paixão torna-se um evangelho vivo. Venho da Basílica de São Pedro e lá tive a minha primeira audiência, esta manhã, com os peregrinos ucranianos, de uma diocese ucraniana. Quão perseguidas foram estas pessoas, quanto sofreram pelo Evangelho! Mas eles não negociaram a fé. São um exemplo. Hoje, no mundo, na Europa, muitos cristãos são perseguidos e dão a vida pela sua fé, ou são perseguidos com luvas brancas, isto é, deixados de lado, marginalizados... O martírio é o ar da vida de um cristão, de uma comunidade cristã. Haverá sempre mártires entre nós: este é o sinal de que estamos a seguir o caminho de Jesus. É uma bênção do Senhor, para que haja entre o povo de Deus, alguém que dá este testemunho de martírio.
Paulo é chamado a defender-se das acusações e, no final, na presença do rei Agripa II, a sua apologia transforma-se num testemunho eficaz de fé (cf. At 26, 1-23).
Depois Paulo fala da sua conversão: Cristo ressuscitado tornou-o cristão e confiou-lhe a missão entre as nações, «para lhes abrires os olhos e fazê-los passar das trevas à luz, e da sujeição de Satanás para Deus. Alcançarão, assim, o perdão dos seus pecados e a parte que lhes cabe na herança, juntamente com os santificados pela fé» em Cristo (v. 18). Paulo obedeceu a este encargo e mais não fez do que mostrar como os profetas e Moisés predisseram o que ele agora anuncia: «que o Messias tinha de sofrer e que, sendo o primeiro a ressuscitar de entre os mortos, anunciaria a luz ao povo e aos pagãos» (v. 23). O testemunho apaixonado de Paulo comove o coração do rei Agripa, a quem falta apenas o passo decisivo. Então o rei diz: «Por pouco não me persuades a fazer-me cristão!» (v. 28). Paulo é declarado inocente, mas não pode ser libertado porque ele apelou para César. Assim continua a viagem imparável da Palavra de Deus para Roma. Paulo, acorrentado, acaba por chegar aqui a Roma.
A partir deste momento, o retrato de Paulo é o do preso cujas correntes são o sinal da sua fidelidade ao Evangelho e do testemunho dado ao Ressuscitado.
As cadeias são certamente uma prova humilhante para o Apóstolo, que o mundo vê como um «malfeitor» (2 Tm 2, 9). Mas o seu amor por Cristo é tão forte que também estas cadeias são lidas com os olhos da fé; fé que para Paulo não é «uma teoria, uma opinião sobre Deus e o mundo», mas «o impacto do amor de Deus no seu coração [...] é o amor a Jesus Cristo» (Bento XVI, Homilia por ocasião do Ano Paulino, 28 de junho de 2008).
Queridos irmãos e irmãs, Paulo ensina-nos a perseverança na provação e a capacidade de ler tudo com os olhos da fé. Hoje pedimos ao Senhor, por intercessão do Apóstolo, que reavive a nossa fé e nos ajude a ser fiéis até ao fim à nossa vocação de cristãos, discípulos do Senhor, missionários.
Papa Francisco
Audiência Geral 11.12.2019

Encontro de Adolescente com Cristo (EAC)

A Paróquia São Miguel e Amas, em Guanhães/MG, iniciou hoje os trabalhos do EAC.
Os adolescentes se reuniram, e tudo aconteceu com serenidades, momentos de oração e reflexão, partilhas da mesma, trabalhos em grupo; cujo conteudo foi a vivencia no EAC, no 2019.
E por fim, apresentação de propostas de espiritualidade para o novo ano.
Cada grupo apresentou suas propostas e todos assistiram a um vídeo com mensagem de bençãos, enviado pelo bispo diocesano, Dom Otacílio Ferreira de Lacerda.
O momento foi bastante discontraido e encerrou-se com lanche e partilha.

Informações e fotos, Renato Coelho.
(Com alterações)



























5 de fevereiro de 2020

Os textos bíblicos nas Celebrações

“Cristo está sempre presente em sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas”, afirma o documento conciliar Sacrosanctum Concilium sobre liturgia. E, depois de ter afirmado sua presença no “sacrifício eucarístico” e, “sobretudo, nas espécies eucarísticas”, afirma: “Está presente na sua Palavra, pois é Cristo que fala quando se proclama na Igreja a Sagrada Escritura” (SC, n. 7).
Outras expressões do mesmo teor se encontram no documento conciliar: “É de suma importância a Sagrada Escritura nas celebrações litúrgicas”. Por isso, “é preciso fomentar aquele amor suave e forte pela sagrada Escritura testemunhado pela venerável tradição dos ritos” (SC, n. 24).
O documento recorda que “na liturgia, Deus fala ao seu povo e Cristo, ainda hoje, anuncia seu Evangelho” (SC, n. 33). Logo, uma consequência que não tem só uma finalidade litúrgica, e que recupera séculos de história, colocando a Palavra, na liturgia, em seu devido lugar, na fidelidade à antiga praxe eclesial: “nas celebrações litúrgicas, sejam feitas leituras das Sagradas Escrituras com mais abundância, maior variedade e mais adaptações às ocasiões” (SC, n. 61,1).
Essas essenciais orientações dadas pelo Concílio encontraram bela e rica resposta nos anos sucessivos quando, depois de ampla discussão, a Igreja adotou a leitura da Palavra com um ciclo trienal, aos domingos e festas, e bienal – da primeira leitura – nos dias da semana. Passamos, deste modo, de três por cento do Antigo Testamento proclamado antes da Reforma, a 24 por cento do Lecionário atual e, do Novo Testamento, agora escutamos 70 por cento, antes era vinte e um por cento.
Sobretudo, tomamos consciência de que a celebração litúrgica é “o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida”, como escreveu o Papa Bento XVI, na maravilhosa exortação apostólica Verbum Domini (2010). Ele recordava que “a celebração litúrgica se torna uma contínua, plena e eficaz proclamação da Palavra de Deus” (VD, n. 52, citando a Instrução Geral das Leituras da Missa).
Papa Bento vai ainda mais para lá e abriu um amplo horizonte à proclamação da Palavra de Deus na liturgia, quando observou que “para a compreensão da Palavra de Deus é necessário entender e viver o valor essencial da ação litúrgica”... O referencial para uma compreensão mais plena da Sagrada Escritura é “a liturgia, onde a Palavra de Deus é celebrada como palavra atual e viva”. Para concluir, o Papa exortava os pastores e todos os agentes de pastorais “a fazer com que todos os fiéis sejam educados para saborear o sentido profundo da Palavra de Deus que está distribuída ao longo do ano na liturgia”.
Estas poucas palavras são suficientes para compreender como a nossa Igreja se coloca, hoje, diante da Palavra. O outro grande documento conciliar sobre a Palavra: Dei Verbum, em abertura, afirmava que o Concílio se propôs “expor a genuína doutrina sobre a revelação divina e a sua transmissão, para que o mundo todo, ao ouvir o anúncio da salvação, creia, crendo espere e esperando ame” (DV, n. 1).
É meu desejo que, neste mês da Bíblia, todo discípulo do Senhor Jesus, com sua comunidade eclesial possa dar passos na compreensão, acolhida e vivência desses votos dos documentos da nossa Igreja.
Dom Armando Bucciol
bispo de Livramento de Nossa Senhora-BA
Membro da Comissão Bíblico-Catequética nacional